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Não há tempo a perder

06/08/2019

Depois de longas discussões no plano nacional, finalmente a reforma da Previdência se aproxima de seus encaminhamentos finais. A matéria foi aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados e, nas próximas semanas, deve ser concluída pelo Senado. Mesmo com o avanço legislativo, que deve ser saudado, ainda é incerta a situação de estados e municípios. É hora, portanto, de trazer essa pauta à realidade gaúcha, promovendo a necessária reavaliação das regras do funcionalismo público estadual.

 

O desequilíbrio financeiro do Rio Grande do Sul tem na previdência uma de suas raízes. A previsão é de que o déficit alcance R$ 12,35 bilhões em 2019. Quase três vezes mais do que há dez anos. Com isso, é enorme o montante que o governo precisa cobrir — e que só aumenta diante de uma incrível inversão: o número superior de servidores aposentados supera o de ativos.

 

Na prática, é dinheiro que falta para educação, saúde e segurança e para pagar os servidores. Se nada for feito, o abismo só aumentará, deixando o Estado à beira da insolvência. Assim, é acertada a iniciativa do governador Eduardo Leite de propor alterações na previdência estadual.

 

Ainda há não detalhes sobre as medidas, mas é um debate do qual não podemos fugir. Mesmo que o Congresso decida pela inclusão de estados e municípios na reforma, ainda assim correções serão necessárias por aqui. Ações como aumento da idade mínima para aposentadoria e alíquotas progressivas são exemplos disso.

 

O essencial, no entanto, é fazer um pente fino em nossa previdência. Ou seja, eliminar privilégios adquiridos, combater injustiças e garantir que o sistema seja, além de sustentável, equilibrado para todos os servidores. Afinal, cuidar da previdência é cuidar do futuro do próprio funcionário público. Fato já percebido pela população brasileira, que em recentes pesquisas já se mostrou majoritariamente favorável às mudanças previdenciárias.

 

Não há tempo a perder. Pensando no bem de toda a sociedade, precisamos evoluir. Com transparência e coragem, pensando não na próxima eleição, mas no futuro do Rio Grande. Sem mudanças, todos os gaúchos serão prejudicados pela falta de recursos. Reformar nossa previdência é urgente. É um passo essencial para o Estado caber em si mesmo e nossa economia voltar a crescer.


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